Como é
que eu hei-de explicar isto?!
Pessoas
que são obcecadas com o marido que têm. Ou são deslumbradas por terem um
marido. Acho que é mais isso. Não têm uma admiração extrema pelo José, pelo
António ou pelo Bruno Wanderley, se fossem estes os nomes do seu companheiro.
Não, não têm. Eu até duvido que, por vezes, se lembrem do seu nome. É apenas “o
meu marido”, a pessoa com quem vivem – casadas ou não. Não lhes perguntem pelo
Zé Manel, ou pelo Rui Alexandre. Ficam meias bloqueadas.
Quando
falam, é como se fossem porta-voz de uma instituição cujo sócio maioritário é
“o meu marido”. Têm muito orgulho nesta figura central da sua vida, sem a qual,
nada faz sentido.
Ser
mulher de “um marido” é uma condição que dá prestígio e relevância. É uma
missão que lhes permite, de uma forma feliz, ser quase nada. Pessoas que têm
“um marido” sentem-se proprietárias de um bem valioso. Ser casada ou viver com
“um marido” é como ser efetiva numa empresa. É passar aos quadros da vida nupcial
e ter direito a todas as obrigações que legitimam e autenticam essa função.
Pessoas
que dizem muito “O MEU MARIDO” fazem-no porque isso lhes dá alegria, bem-estar
e satisfação, e isso só por si, é uma poderosa justificação.
Filipa
Coutinho
Para o Casal,
