quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

“Abri a Pestana”


Ultimamente, entre as 23:30 e as 0:45, a Filipa tem evidenciado um constante estado de pré-adormecida. Eu, consciente desse facto, sempre atento às suas dificuldades, defini um plano para a ajudar a ultrapassar esse constrangimento. Recorri à intelectualização e arquitectei um plano que denominei por Plano +25.

Sabemos que o “Abre a pestana!” ou o “Põe-te esperto!”, são modos de alerta para os perigos que andam por aí. No caso, o alerta, esse, é daqueles que tende a perdurar. O que se tem passado diariamente entre as 23:30 e as 0:45, confirma-o.

Basicamente, o meu Plano +25 consiste em chegar ao quarto ‘pé-ante-pé’, reduzindo o ruído a quase zero. Uma espécie de carro elétrico modelo Tesla S 100D. Todo o processo – e aqui incluo o tirar os sapatos, as calças, as meias, fazer os abdominais e estender o dorso – demora cerca de 25 minutos, se não incluirmos outras atividades extra-curriculares. Têm sido 25 minutos em modo de silêncio ativo.

Contudo, a Filipa apanha-me sempre e ainda vocifere, “Precisas de ajuda?”. Como base no que disse Abraham Lincoln, «Posso enganar todos por algum tempo, posso enganar alguns durante todo o tempo, mas não posso enganar todos durante todo o tempo».



Filipe Coutinho

Para o Casal,
deixe aqui o seu contributo: parabensaocasalcoutinho@gmail.com


terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Pleonasmite


Creio que a Filipa tem momentos em que evidencia pleonasmite. É uma doença holística, para a qual não se conhecem nem vacinas nem antibióticos, que se revela quando alguém procura compreender os fenómenos na sua globalidade com recurso frequente ao uso de pleonasmos.

São exemplo o estar atento aos “pequenos detalhes”, dividir o gelado em “metades iguais”, “vou fazer xixi aqui” ou ainda quando fala em “factos reais”.

Contudo, a Filipa revela progressos significativos quando avalia a expressão “na minha opinião pessoal” como um pleonasmo descarado. Estou totalmente de acordo, é frequente e é grave. Digo-o com convicção pessoal!



A “viver a vida” com um “sorriso nos lábios” e sem qualquer “surpresa inesperada”, considero que a Filipa é a “principal protagonista” da minha “própria vida”.




Filipe Coutinho

Para o Casal,
deixe aqui o seu contributo: parabensaocasalcoutinho@gmail.com

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Porquê? Porquêêêêê?

A clássica idade dos porquês surge por volta dos três/quatro anos, embora possa surgir mais tardiamente, dependendo da estimulação e capacidade intelectual de cada criança entre outros factores ambientais e familiares.

Surpreendentemente, a Filipa voltou – ou nunca saiu – da idade dos porquêêêêê. Acaba por ser contraditório face ao progresso registado no processo que denominei por ‘INTELECTUALIZAR’.

e é isto, diariamente… pelo menos no ultimo mês!!?
  • Vou abrir uma Box ‘Venâncio da Costa Lima’ e beber um branco fresquinho, PORQUÊ?
  • Vou à casa de banho, volto já, PORQUÊ?
  • Tenho que preparar um artigo para o Minuto Acessível, PORQUÊ?
  • Estou a pensar em…, PORQUÊ?


Creio que a Filipa começa a ter uma melhor compreensão do seu próprio eu, quer perceber-se a si mesma, em síntese, sente necessidade de compreender o novo mundo que a rodeia. Mas antes de saber o que fazer, a curiosidade começa a manifesta-se de um modo mais intuitivo, ou antes, de uma forma mais sensorial. À medida que evolui, desenvolve algumas capacidades até agora escondidas e é mais eficiente na comunicação. Pragmaticamente, começa a questionar-me sobre tudo o que quer compreender.

Por mais saturado que esteja, não devo ignorar as perguntas ou pedir que se cale. É preferível combinar com ela que depois do jantar lhe responderei com mais calma. Se é travada no momento em que faz perguntas, poderá sentir-se desvalorizada e até perder o interesse e vontade de descobrir coisas novas. E em futuros momentos do seu processo de aprendizagem, poderá não questionar ou tirar dúvidas por medo ou insegurança, ou mesmo por achar que não é pertinente. 



Contudo vou evitar dar respostas muito longas e elaboradas, dar 
respostas antes que ela pergunte e evitar dar respostas incorrectas ou fantasiosas porque quando ela descobrir a verdade, ficará confusa.



Filipe Coutinho

Para o Casal,
deixe aqui o seu contributo: parabensaocasalcoutinho@gmail.com

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Pessoas que dizem muito “O MEU MARIDO”


Como é que eu hei-de explicar isto?!

Pessoas que são obcecadas com o marido que têm. Ou são deslumbradas por terem um marido. Acho que é mais isso. Não têm uma admiração extrema pelo José, pelo António ou pelo Bruno Wanderley, se fossem estes os nomes do seu companheiro. Não, não têm. Eu até duvido que, por vezes, se lembrem do seu nome. É apenas “o meu marido”, a pessoa com quem vivem – casadas ou não. Não lhes perguntem pelo Zé Manel, ou pelo Rui Alexandre. Ficam meias bloqueadas.



Quando falam, é como se fossem porta-voz de uma instituição cujo sócio maioritário é “o meu marido”. Têm muito orgulho nesta figura central da sua vida, sem a qual, nada faz sentido.

Ser mulher de “um marido” é uma condição que dá prestígio e relevância. É uma missão que lhes permite, de uma forma feliz, ser quase nada. Pessoas que têm “um marido” sentem-se proprietárias de um bem valioso. Ser casada ou viver com “um marido” é como ser efetiva numa empresa. É passar aos quadros da vida nupcial e ter direito a todas as obrigações que legitimam e autenticam essa função.

Pessoas que dizem muito “O MEU MARIDO” fazem-no porque isso lhes dá alegria, bem-estar e satisfação, e isso só por si, é uma poderosa justificação.



Filipa Coutinho

Para o Casal,
deixe aqui o seu contributo:  parabensaocasalcoutinho@gmail.com

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

INTELECTUALIZAR


O processo de ‘intelectualização’ é um mecanismo regular ao qual o Casal recorre sempre que quer resolver um problema menor, grave ou gravíssimo. Filipe importou este conceito de uma galáxia distante e os resultados têm sido muito positivos. Estas linhas são escritas ‘na terceira pessoa’ porque o processo de intelectualização está ativado. No âmbito do Casal, é costume ouvir-se, diariamente, afirmações como ‘intelectualiza a situação’, ‘o assunto já foi intelectualizado’, ‘aqueles se não intelectualizarem não vão a lado nenhum’, etc.

Normalmente, o processo exige a ativação de um processador cerebral muito raro, situado na Área do Comportamento e Emoção, que só aqueles que vivem a vida com pragmatismo, flexibilidade e compromisso é que o detêm. A Filipa tem realizado uma aprendizagem rápida e consistente e, em menos de três meses, já intelectualiza com facilidade. O recurso recorrente à vasta gama de ‘ferramentas’ cerebrais do Filipe tem facilitado todo o processo de aprendizagem. Parabéns Filipa.


O evoluído CÉREBRO do Filipe


Se o processo de ‘intelectualização’ fizesse greve, o que é um pressuposto improvável, a marcha do Casal ficava, no mínimo, comprometida.


Filipe Coutinho


Para o Casal,
deixe aqui o seu contributo: parabensaocasalcoutinho@gmail.com